Naming não é sobre ser diferente. É sobre ser lembrado do jeito certo
Meu nome é Gilnei. Sim, com G-I-L-N-E-I.
Mas já ouvi de tudo: Junei, Juneu, Ginei, Gilmar, Giovane e até Dionei.
Outro dia, numa cafeteria em Porto Alegre, o copo do meu café veio com mais uma versão criativa. Ri sozinho e pensei: se isso acontece com meu nome, o que acontece com os nomes das marcas?
Por muitos anos usei estúdio Gilnei Silva como nome do meu trabalho. Era pessoal, sincero, autêntico.
Mas com o tempo percebi que nem sempre um nome pessoal é o melhor nome para uma marca.
Ser único é ótimo, mas ser confuso pode ser caro.

O que as variações do meu nome ensinam sobre naming
Quando alguém me chama de Junei ou Dionei, o erro não é da pessoa. É o cérebro tentando encaixar o som em algo familiar.
E o mesmo acontece com marcas. Se o nome foge demais do repertório mental das pessoas, o cérebro tenta corrigir e, às vezes, inventa outro.
Cada erro que ouço é, na verdade, um teste de percepção.
O nome não precisa ser perfeito, mas precisa ser entendido sem esforço.
Diferença é boa. Confusão, não.
A Coca-Cola é fluida.
A Pepsi, simples, embora eu mesmo, quando criança, dissesse Pepis.
Já nomes como Häagen-Dazs ou Husqvarna mostram o outro extremo.
O primeiro soa sofisticado, mesmo tendo sido criado apenas para parecer europeu.
O segundo carrega tradição e autoridade em sua origem sueca.
Não é a dificuldade que define o sucesso de um nome, e sim o contexto.
O difícil pode funcionar, desde que o público esteja preparado para ele.
Nome não é estética. É estratégia.
Naming não é escolher uma palavra bonita.
É criar reconhecimento, sonoridade e lembrança.
O bom nome vive sozinho, comunica sem precisar de explicação e cresce com a marca.
Na Evolgo, já criamos dezenas de nomes para marcas de diferentes segmentos, e uma coisa sempre se confirma: um bom nome nasce de propósito, não de acaso. Ele precisa carregar intenção, som e significado.
Um nome deve funcionar em uma conversa, em um anúncio ou até num copo de café.
Um bom nome trabalha em silêncio, mas é ouvido por todos.
Criar nomes está cada vez mais difícil
Segundo o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), o Brasil registrou 210.987 marcas efetivamente concedidas em 2023, o que equivale a quase 580 novos registros por dia ou cerca de 24 marcas registradas por hora.
No mesmo período, foram mais de 424 mil pedidos de registro depositados, o que mostra a dimensão da disputa por nomes disponíveis.
Já no cenário global, a WIPO (World Intellectual Property Organization) registrou 15,5 milhões de pedidos de marcas no mundo em 2022, o que equivale a mais de 42 mil por dia.
Com tantos registros acontecendo, quase tudo o que soa bom já existe em algum lugar.
E é por isso que a estratégia importa.
Mais do que buscar um nome inédito, vale buscar um nome inequívoco: aquele que soa certo, parece confiável e é lembrado sem esforço.
Fica o lembrete
Se alguém errar o seu nome, como erram o meu, não leve como ofensa.
Leve como lembrete.
Todo nome que precisa ser lembrado primeiro precisa ser entendido.
Naming não é sobre ser diferente.
É sobre ser lembrado do jeito certo.
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